
Instagram: @lucasjunqueira.eu
“Minha lesão medular aconteceu em janeiro de 2009, após um acidente durante um mergulho no mar. Bati a cabeça em um banco de areia e fraturei a 5ª vértebra cervical.
Nos primeiros dias no hospital, ouvi pela primeira vez sobre a retenção urinária. A princípio, fiquei apreensivo. Tinha receio de sentir dor ao passar um cateter pela uretra e, por isso, resisti um pouco à ideia. Mas, depois da explicação do médico, aceitei tentar. A enfermeira realizou o cateterismo e, naquele momento, entendi que essa seria uma parte da minha nova rotina.
Voltar à vida ativa foi um grande desafio. Reaprender a fazer coisas simples, me adaptar a uma nova forma de viver, entender e aceitar essa realidade... Tudo isso levou tempo. Mas, com apoio da família, dos amigos e dos profissionais ao meu redor, fui redescobrindo meu espaço no mundo.
Graças ao suporte da minha família, amigos e muita informação sobre o que tinha acontecido comigo, consegui encarar os desafios que surgiram, como o preconceito e a falta de acessibilidade em praticamente tudo que eu queria fazer. Mas, com determinação e apoio das pessoas certas, fui me adaptando e descobrindo que ainda era possível realizar muitas coisas que eu desejava. Foi nesse processo que voltei a estudar em uma universidade, a dirigir, a viajar e a me envolver com o esporte, encontrando um novo sentido para minha vida.
No início da minha lesão, conheci diversas modalidades esportivas para pessoas com deficiência. Experimentei natação, tênis de mesa, bocha e basquete em cadeira de rodas, mas foi o rugby que fez meu coração bater mais forte. Força, estratégia, contato… Não teve como resistir! Com apenas nove meses de lesão, comecei a treinar, e desde então o esporte só me trouxe alegrias! Além de ajudar na minha reabilitação, permitiu que eu desenvolvesse movimentos que fui recuperando com o tempo, ganhasse mais qualidade de vida e, o mais importante: me proporcionou autonomia e liberdade.
No começo, usei o cateter de PVC para realizar o cateterismo intermitente, mas enfrentei muitas dificuldades. As infecções urinárias se tornaram frequentes, afetando minha saúde e minha confiança. Além disso, o manuseio era um problema, já que não tenho movimento dos dedos.
Alguns anos depois, conheci o Programa Ativa, e isso mudou completamente minha relação com o cateterismo e com meu corpo. Através dele, tive acesso a informação, acolhimento e um produto que realmente atendia às minhas necessidades. A partir desse momento, minha qualidade de vida melhorou significativamente.
Hoje, minha vida é extremamente ativa. Sou atleta de rugby em cadeira de rodas, represento o Brasil na Seleção e sou embaixador da Coloplast. Compartilho minha história porque sei que muitas pessoas passam pelos mesmos desafios que eu enfrentei.
Quero que todos saibam que é possível viver bem, sonhar e conquistar a própria independência, mesmo após uma lesão medular. Com acesso a produtos de qualidade, informação e apoio, podemos seguir em frente com autonomia e confiança. "